sexta-feira, 13 de maio de 2011

Temer pede mais uma semana de discussão do novo Código Florestal

O vice-presidente Michel Temer defendeu nesta sexta-feira, após palestra na Universidade Mackenzie, em São Paulo, a necessidade de mais uma semana de debates sobre o Código Florestal, como forma de evitar um desgaste na base aliada no Congresso.
"A sensação que tenho, com toda a franqueza da minha experiência, é de que a discussão vai continuar e não será votado na semana que vem. Mas eu penso que em mais uma semana votaremos esse código. Não haverá necessidade de nenhuma atitude mais drástica", disse Temer, que viaja ainda nesta sexta-feira para a Russia, acompanhado pelo lider do PMDB na Câmara, deputado Henrique Alves. Deputados do partido chegaram a se rebelar, dizendo que não votariam mais nada na Câmara enquanto não se votasse o Código Florestal.
Temer minimizou o conflito na base aliada.
"Não é o governo que está segurando a votação. Mas uma tentativa de fazer uma conciliação",disse Temer, explicando que a repercussão internacional das causas ambientais no Brasil tem levado à essa maior discussão do Código Florestal brasileiro.
"Será mais útil para o país que se chegue a um acordo, mas se houver divergências, deve se votar no plenário", disse Temer, prevendo que a votação não acontecerá "nem na semana que vem", mas na outra semana.
Na palestra no Mackenzie, Temer falou sobre a reforma política e voltou a defender a adoção do "distritão". Temer sugere que os Estados e o Distrito Federal sejam transformados em distritos com a escolha dos candidatos pelo voto majoritário, em que os mais votados devam ser eleitos. Citou o exemplo de São Paulo que tem 70 vagas para a Câmara dos Deputados. Ele defendeu que os 70 mais votados sejam os eleitos. Hoje, segundo Temer, nem sempre acontece isso, pois há casos de deputados com 128 mil votos que não foram eleitos por causa do quociente eleitoral, enquanto que foram eleitos candidatos com apenas 275 votos.
Temer confirmou que o deputado Gabriel Chalita deverá mesmo ser pré-candidato do PMDB a prefeito de São Paulo e que, por isso, vai mesmo deixar o PSB para ingressar no PMDB no próximo dia 4 de junho, quando haverá a realização de um grande ato de filiação na Assembleia Legislativa de São Paulo. O vice-presidente desconversou sobre a proximidade de Chalita com o governador tucano Geraldo Alcklmin.
"Eu também sou muito próximo ao Alckmin. Entretanto, estamos em campos políticos opostos atualmente", disse Temer.
O vice-presidente defendeu que o PMDB tenha candidatos em todos os municípios de São Paulo e que preferencialmente faça alianças com o PT, mas onde isso não for possível, o partido deve buscar alianças com outros partidos, alertando que os entendimentos precisam ser aprovados pela direção do partido no estado.
"Vamos sempre tentar uma coligação com o PT. Se não for possível no primeiro turno, será no segundo turno", disse Temer.
O vice-presidente informou que nesta sexta-feira mesmo viajaria para a Russia, onde terá encontro na segunda-feira com o primeiro-ministro da Russia, Vladimir Putin, para discutir acordos comerciais entre o Brasil e Russia. Os russos estão ameaçando deixar de comprar novamente carne brasileira alegando problemas sanitários no rebanho brasileiro. Temer vai liderar uma comitiva brasileira, inclusive funcionários do Ministério da Agricultura. Farão parte da comitiva também diretores da Eletrobras para discutir a questão energética e os acordos de cooperação dos russos com o Brasil.
Da Agência Brasil